* Pai, tas-me a ouvir? Daqui fala o teu filho
* Desorientado, não encontro o meu caminho
* Dolorosamente soube da tua morte
* Sem forças fiquei, a dor sentida foi muito forte
* É difícil para mim ouvir, lamento o teu pai partiu
* O coração é um cemitério onde enterro o meu vazio
* O tempo vai passando, a saudade aumenta
* Não sei como aguento esta dor que me atormenta
* E que me vai destruindo lentamente
* E me tenta deitar ao chão repetidamente
* A saudade que me arrepia, na noite fria
* Mergulho neste sentimento de nostalgia
* Pai partis-te á 5 anos, o meu rosto ainda chora
* Eu já não sou o mesmo, porque foste tu embora?
* Continuo a sonhar um dia ter a tua presença
* Alimentas-me a mente, apesar da tua ausência
* Eu reparo que não valo, o que pensava valer
* Faço-me de forte, mas continuo a sofrer * São feridas não saradas que a teimam em arder
* Penso naquele teu abraço que me fazia tremer
* Sobre a tua campa, eu continuo a chorar
* Penso em ti no silêncio, sem nunca te chamar
* Pego na tua fotografia e continuo a recordar
* Continuo a olhar, para o tempo que passou
* No fundo para mim, o relógio nunca parou * Tu deste-me o valor que mais ninguém deu
* Pai, o meu coração continua a ser teu
* Sempre que precisei, tiveste ao meu dispor
* Volta para mim pai, preciso do teu amor
* Grito, mas será que tu consegues ouvir?
* Sofro, mas será que tu consegues sentir?
* Desculpa se alguma vez te desiludir
* Mas a tua partida é difícil de digerir
* Eterna escuridão que se abate sobre mim
* Sou escravo desta solidão que não tem fim
* Pois, a realidade é sempre dura
* No meu rosto já nem se distinguem, as lágrimas da chuva
* Olho para o céu e repenso tudo
*As costas pesam-me parece que carrego o peso do mundo
Agora, eu digo, pai, será que me consegues ouvir?